Cindura e performance física: suplemento promissor ou expectativa exagerada?
Cindura funciona para performance física? Veja um relato real de uso crônico, mecanismo de ação, doses, efeitos na resistência e limitações do suplemento dentro da nutrição esportiva.
SUPLEMENTAÇÃO


Sabe aquele momento de empolgação em que você se depara com algo que parece positivo demais para ser verdade e decide testar por conta própria?
Foi exatamente assim que esse texto começou.
Hoje quero compartilhar um relato real, sem hype e sem promessa milagrosa, sobre suplementação voltada para performance física. Mais especificamente, sobre a Cindura, um suplemento ainda pouco conhecido, mas que vem chamando atenção em estudos recentes.
Alguns meses atrás, durante meus estudos, encontrei um artigo que avaliava um suplemento promissor para hipertrofia e performance em atletas naturais. O primeiro ponto que me deixou com o pé atrás foi simples: existia apenas um estudo clínico publicado até aquele momento.
Mesmo assim, após analisar o método, os critérios e o racional fisiológico por trás da substância, decidi fazer algo que considero essencial na prática esportiva: testar, observar e registrar.
Agora, entrando no quinto mês de uso contínuo, já consigo trazer uma análise mais madura, baseada em um relato de caso pessoal, com contexto, limitações e, principalmente, pés no chão.
Antes de falar dos efeitos percebidos, preciso contextualizar meu histórico e o cenário em que essa suplementação foi testada.
Meu histórico com treino e performance
Tenho uma longa trajetória com musculação e atividade física. Já competi duas vezes em campeonatos amadores de fisiculturismo em Manaus e, como é comum nesse esporte, utilizei recursos hormonais durante períodos específicos da minha preparação.
Quando decidi testar a suplementação com Cindura, eu já estava em descanso hormonal há mais de oito meses, sem uso de testosterona ou qualquer outro hormônio injetável. Estava em fase de recuperação do eixo, passando pela conhecida terapia pós-ciclo.
Nesse período, alguns efeitos eram esperados:
queda de rendimento
redução de força
piora da resistência
aumento da fadiga
Minha força máxima caiu cerca de 20%, o que não considero extremo dentro desse contexto.
O maior impacto, no entanto, foi na resistência.
As repetições despencaram em mais de 50%, a fadiga aparecia cedo e permanecia durante todo o treino. A sensação constante de cansaço começou a afetar algo ainda mais delicado: a vontade de treinar.
Sim, passei pela clássica “depressão pós-ciclo”.
E para quem vive o treino, perder o tesão de ir à academia é um sinal claro de que algo não está bem.
O que me chamou atenção na Cindura?
Além dos resultados iniciais apresentados no artigo, o que mais me interessou foi o mecanismo de ação proposto.
Segundo os autores, a Cindura atuaria em dois pilares importantes:
aumento da entrega de oxigênio ao músculo
ativação de vias relacionadas à mTOR
A promessa era ambiciosa: melhora simultânea de performance e hipertrofia, mesmo em atletas naturais.
No estudo, os grupos foram bem separados entre placebo e suplementação. O grupo que utilizou Cindura apresentou:
ganho de força
melhora da resistência
aumento de massa muscular
redução de gordura corporal
Tudo isso quando comparado ao grupo placebo.
A principal falha, na minha visão, foi não controlar de forma rígida a dieta dos participantes. Ainda assim, os dados eram interessantes o suficiente para justificar um teste prático.
Meu protocolo de suplementação
Durante esses cinco meses, decidi seguir o mais próximo possível dos critérios avaliados no estudo.
Excluí qualquer suplemento com efeito direto de aumento de performance.
A única exceção foi o pré-treino, utilizado apenas em dias muito específicos, quando o treino exigia mais fisicamente ou o cansaço estava fora do normal.
Suplementos como creatina ficaram de fora justamente para não contaminar a análise.
Os suplementos utilizados foram:
Ácido alfa-lipoico
Cindura
Pré-treino (uso pontual)
Dosagem da Cindura
Primeiro mês: 800 mg por dia, sempre 2 horas antes do treino
Meses seguintes: 1.600 mg por dia, passando a tomar em jejum por praticidade
Optei por dobrar a dose considerando meu peso, histórico hormonal e também porque, segundo as próprias recomendações, esse aumento já estava previsto para fases posteriores.
Minha experiência prática
No primeiro mês, os efeitos foram discretos.
Nada de aumento absurdo de força ou energia imediata.
Mas algo começou a mudar:
a fadiga constante diminuiu e a resistência nos treinos começou a melhorar gradualmente.
Com o aumento da dose e a intensificação da rotina de treino, especialmente durante um desafio interno na clínica onde trabalho, os efeitos ficaram mais claros.
Como registro todos os treinos em logbook e acompanho a evolução do cardio com tempo e distância, ficou evidente que a adaptação a cargas de treino mais intensas aconteceu de forma mais rápida.
O maior benefício percebido foi na capacidade cardiorrespiratória.
Saí de caminhadas leves para corridas mais longas, sempre respeitando progressão e cronograma de treino.
Não foi milagre.
Foi adaptação facilitada.
Doses recomendadas e considerações importantes
Nos estudos, a dose avaliada foi de 800 mg por dia, utilizada cerca de 2 horas antes do treino.
Para homens com maior massa muscular e histórico de treino avançado, 1.600 mg pode fazer sentido, desde que haja acompanhamento e bom senso.
É fundamental deixar algo muito claro:
Cindura não substitui hormônios.
Qualquer comparação com estudos em ratos, onde efeitos similares ao uso de hemogenina foram observados, precisa ser vista com extrema cautela. A resposta fisiológica em humanos é completamente diferente.
Dito isso, entre apostar em recursos hormonais ou em um suplemento que não interfere na produção natural de testosterona e não gera efeitos colaterais conhecidos, minha escolha é clara.
A Cindura não é um suplemento milagroso.
Mas, dentro de um contexto bem estruturado de treino, alimentação e recuperação, pode sim ser uma ferramenta interessante para performance, especialmente em fases de adaptação, retorno de rendimento ou maior volume de treino.
Ela não sustenta resultado sozinha.
Mas pode facilitar o processo.
E no esporte, facilitar sem prejudicar já é muita coisa.
Se você quer entender quais suplementos realmente fazem sentido para sua rotina, seu nível de treino e seus objetivos, sem modismo e sem promessas vazias:
Entre em contato e vamos estruturar sua estratégia com base em ciência, contexto e realidade.
